sexta-feira, abril 13, 2012
Jefferson Santos
Escutas telefônicas flagraram assessora do desembargador Rafael Godeiro tratando de venda de decisões.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte ajuizou e o Juiz da 4ª Vara
Criminal da Comarca de Natal Raimundo Carlyle acatou Denúncia contra a
servidora Ana Lígia Cunha de Castro, Assessora do Desembargador Rafael
Godeiro a época das investigações, por crime de corrupção passiva.
A
Denúncia ajuizada pelo Ministério Público Estadual foi recebida ontem
(13) e as acusadas são Sônia Abrantes de Sousa, que pretendia conseguir
decisão judicial favorável; e Ana Lígia Cunha de Castro, Assessora do
Desembargador Rafael Godeiro.
Segundo a Denúncia dos Promotores
de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Ana Lígia teria vendido a
ideia a Sônia Abrantes de que, em virtude da amizade entre o pai da
primeira, o Juiz de Direito aposentado Lavoisier Nunes de Castro, com o
Desembargador Rafael Godeiro, seria mais fácil a obtenção do provimento
judicial favorável.
"A assessora do desembargador quer 15 mil
reais para ser dada a decisão”. Traz um dos trechos de diálogo por
telefone interceptado durante investigação da Polícia Federal autorizada
pelo Juiz Federal Mário Jambo, da 2ª Vara Federal, mas que não
investigava venda de sentença no TJRN.
Sônia Abrantes havia sido
selecionada para Defensora Pública em caráter temporário e com a
proximidade do fim do seu contrato tentou buscar uma liminar judicial
para continuar no cargo e ser efetivada sem o ingresso através do
concurso público.
Embora a negociação tenha sido realizada a
decisão não foi concedida em favor da acusada. Na distribuição o
processo não ficou com o Desembargador Rafael Godeiro, mas com o
Desembargador Caio Alencar, que indeferiu a liminar em 06/05/2008.
Comprovada
a negociata, os Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público
pediram à Justiça a condenação de Sônia Abrantes e Ana Lígia,
respectivamente, pelos crimes de corrupção ativa (artigo 333 do Código
Penal) e corrupção passiva (artigo 317 do Código Penal); além da perda
da função pública.
A Denúncia do MP Estadual lembra ainda que a
Promotoria de Defesa do Patrimônio Púbico já tinha conhecimento de outra
conduta ilícita de Ana Lígia Cunha de Castro. Em 23 de junho de 2004
foi instaurado Inquérito Civil na 46ª Promotoria de Defesa do Patrimônio
Público para apurar possível prática de "exploração de prestígio" e
outros crimes como extorsão, peculato a apropriação indébita que teriam
sido praticados pela denunciada.
Os fatos teriam ocorrido em
2004, quando também no exercício de função de Assessora do
Desembargador Rafael Godeiro, Ana Lígia atuava negociando decisões
judiciais apresentando-se como advogada do escritório do seu pai.
O
Juiz da 4ª Vara Criminal da Comarca de Natal Raymundo Carlyle, ao
acatar ontem a Denúncia do MPRN, decretou a quebra de sigilo telefônico e
bancário das denunciadas, além de estipular prazo de 10 dias para que
as partes citadas se defendam.
0 Comentários:
Postar um comentário